sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Cartografias:

cartografias da sexualidade do século XXI

Ainda somos presos as tradições ou a reinvenção das mesmas. Ainda que Kuma tenha escrito que mulheres são "descoladas" no século XXI, o papel da mulher frente a esta trasgressão tão bem vinda aos escritos sobre o pós-modernismo, e portanto, escritos do nosso século, ainda é um papel limitado.

Estamos vivênciando um século de extremos, que podemos ter mil parceiros, um milhão de relações, e ainda viver isolada aos moldes idade média, virgem, pálida, em antigos castelos como a Rapunzel , na torre. Aliás, penso que essa representação está um pouco errada quando falamos em sexualidade. a sublimação é uma forma de esconder a sexualidade não trabalhada. O que nos diferencia é que ao final da história não existirá um príncipe que venha salvar , quando você estiver morrendo de tédio. O que acontece ao sexo feminino quando resolve ter os mesmos principios que os homens, imitando o arquétipo masculino brasileiro?

Ao invés de descolada, a mulher tende a ser descartada( estamos falando em normalidade e tendências, não em excessões).

A cultura masculina é caracterizada pelo voyerismo, pelo olhar, não importa de que esteja se falando, o homem precisa ver, notar, falar que uma mulher está bonita ou que é gostosa. não é a-toa que existem tantos nomes para mulheres, desde os tempos antigos até a contemporaneidade: formosa, violão, gatinha, raimunda, gostosa com o "ai gostosa, ssss".

E com os olhos eles vão seguindo a mulher bonita que passa na rua, no Rio de Janeiro, também desde os tempos mais remotos , antes da bossa nova com Pixinguinha, "E os meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas vão te seguindo". Nos anos 50 Vinicius cantou :" o seu balançado é mais que um poema , é a coisa mais linda que eu já vi passar". É mais uma vez paradoxal, ao mesmo tempo que esta mulher entra dentro do universo masculino pelo olhar, descubro inúmeras reconstruções de tradições que está passando a cultuar a mulher que se cobre, que se veste toda para se despir só para seu marido. A mulher profana e mulher pudica. Daria para mulher se tornar as duas ao mesmo tempo: pudica e profana?


Tal como na mitologia da idade pagã, em que a moeda tem de um lado uma face e a mesma moeda ao virar ganha outra face

No século XXI as regras são outras, os costumes também, mas existem permanências muito bem estabelecidas na relação homem e mulher. As festas com drogas, drinks, e sexo só expandiram o tempo, uma festa "heive" dura mais ou menos 24 h, os tatames para Suings se expandiram , mas os homens continuam praticando um comportamento muito anterior a essas explosões liberadas de vazio existencial: o olhar. E a mulher para eles continuam com suas divisões: a casta e a profana. A mulher casada não pode ser a mesma que está tento relações triplas...





II-

O que me faz suplicar?

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo